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“Eu acho que sair do Brasil é do imaginário coletivo, existe essa questão. Embora você não vá necessariamente para os Estados Unidos, tem essa questão do sonho americano que perpassa para os outros países e que reflete no poder de compra, e na dignidade e qualidade de vida que a gente não tem no Brasil.”

Reprodução Instagram / @soarezigor

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Podcast Longe de Casa - EP2_Igor em Eurotrip
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Dizem que há pelo menos um brasileiro em cada lugar do mundo. Se isso é verdade ou não, o fato é que o número de brasileiros morando no exterior cresceu consideravelmente nos últimos anos, chegando a 4,2 milhões, segundo dados de 2020 do Itamaraty, Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

 

Problemas econômicos, sociais e políticos que afligem o Brasil ainda nos dias de hoje são as principais causas desse movimento migratório. O IBGE divulgou em agosto deste ano um estudo que mostra que a população jovem do Brasil têm visão pessimista do país e que gostaria de morar fora se pudesse. 55% dos jovens que responderam à pesquisa acreditam que o Brasil não seja um local adequado para se viver.

 

Igor Soares, 27, é mais um dentre os milhares de jovens que têm o desejo de viver novas experiências fora do país de origem. Criado na periferia do Rio de Janeiro, no Morro do Borel, ele almeja esse sonho desde pequeno. E foi através de sua profissão que ele conseguiu realizar. Após cursar Letras, ele decidiu entrar para a Comunicação Social na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em seu terceiro período como estudante, na Escola de Comunicação da UFRJ, Igor participou e venceu o Prêmio Santander Jovem Jornalista, realizado em parceria com a Semana Estado de Jornalismo, do jornal Estadão.

Reprodução Instagram / @soarezigor

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“Eu acho que sair do Brasil é do imaginário coletivo, existe essa questão. Embora você não vá necessariamente para os Estados Unidos, tem essa questão do sonho americano que perpassa para os outros países e que reflete no poder de compra, e na dignidade e qualidade de vida que a gente não tem no Brasil.”

 

Para ele, o maior choque cultural ao se deparar com as diferenças da Espanha para o Brasil foi a maneira como a sociedade espanhola se organiza e como as pessoas se comportam. “A viagem trouxe reflexos do que eu vivo no Brasil e na Espanha eu não vivi, por exemplo experiências de racismo. Eu, enquanto ser negro, pessoa negra e pobre acessando esse espaço, sempre falo para as pessoas: eu não senti. Por exemplo, eu entrava nas lojas e lá ninguém me seguia, sabe? Essa experiência da dignidade humana eu não tive no Brasil e lá tive.” Ele completa mencionando que por esses motivos, é possível “acessar muito facilmente um produto que no Brasil muitas vezes você precisa dar um rim para poder pagar.”

 

Igor, que vem de uma realidade difícil na qual a mãe precisou trabalhar duro para manter a família financeiramente, diz que ter tido acesso à Europa trouxe a oportunidade de mudar um pouco da história da sua família. Após a conclusão do semestre na Universidade de Navarra, ele voltou ao Brasil, se formou em 2021 e hoje trabalha como repórter político do Estadão.

“O prêmio significa muito para mim, mas não é uma conquista pessoal. E sim coletiva. É uma reafirmação minha como futuro jornalista e um símbolo de muita luta pela sobrevivência. Minha mãe sempre trabalhou muito para nos manter”, afirmou Igor ao Estadão à época.

 

Sua reportagem sobre ressocialização de internos na Fundação Casa foi a escolhida e ele ganhou um semestre letivo na Universidade de Navarra, na Espanha, com todos os custos pagos. Embarcou em 2019 e passou seis meses morando fora do Brasil. A experiência morando fora, antes jamais inimaginável nessas condições, foi crucial para Igor. Ele conta que experimentou uma forma mais digna de viver.

Reprodução Instagram / @soarezigor

O trabalho lhe dá liberdade geográfica, podendo trabalhar no modo home office de qualquer lugar do mundo. E foi nessa liberdade geográfica que ele viu a possibilidade de morar fora mais uma vez. Então decidiu embarcar em uma nova aventura e se mudar para Londres, na Inglaterra, onde sempre teve o sonho de morar. “Eu vou a Londres para conhecer, vou ficar 5 dias. Mas o meu objetivo é fazer o restante da viagem e ficar em Londres por 6 meses, que é o tempo que eu não preciso de visto. Porque é o meu sonho”, afirma.

 

Os planos são ir para ficar, ele vai manter o trabalho no Brasil enquanto tenta encontrar uma oportunidade que garanta a permanência. Igor também almeja o mestrado internacional. Em sua opinião, não há valorização na educação por parte do governo atual.

 

“No período do Bolsonaro, teve muito esse movimento de emigrar por conta de estudo. Então aqui não se tem valorização da pesquisa, da ciência. Eu vou pra fora porque lá eles vão me valorizar,” critica Igor. Ele crê que existe um movimento político que é responsável pela saída das pessoas e completa: “Isso é prejudicial demais, os especialistas sempre dizem que é prejudicial porque você deixa esses talentos saírem daqui e irem embora para o exterior.”

Reprodução Instagram / @soarezigor

Morar fora do Brasil, como toda e qualquer situação na vida tem seus prós e contras. Nem todas as experiências serão positivas.  Na visão de alguém que foi antes da pandemia, precisou retornar e permanecer no país, sair do Brasil é uma questão de qualidade de vida. Mas Igor tem ciência das perdas dessa escolha. 

 

“Você não vai mais ter esses outros símbolos interessantes para a convivência que são as relações interpessoais, os relacionamentos mais calorosos entre os seres humanos como você conhece aqui. Porque o Brasil tradicionalmente é esse país mais amistoso, mais amigável, mais amável, que as pessoas se relacionam de maneira muito mais afetuosa. E lá fora você não vai ter isso.”

Apesar de tudo, ele afirma que é necessário ponderar a realidade que se tem aqui e o que vai ser oferecido no país de destino para decidir ir de vez. E após se planejar, ele embarcou em outubro deste ano. “Eu gosto de falar de dignidade humana, sempre bato nessa tecla, que é a experiência que a gente não tem no Brasil,” reafirma.

Igor pretende se tornar um influenciador de viagem e compartilha tudo em suas redes sociais. No TikTok ele conta com 14 mil seguidores e deseja crescer mais ainda seus perfis. Com bom humor, inglês e espanhol na ponta da língua, Igor pretende acessar ainda mais espaços e conquistar ainda mais carimbos em seu passaporte.

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